Aconselhamento Biográfico e suas práticas artísticas

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Atualmente se fala muito em autoconhecimento, contudo pouco nos conhecemos. De acordo com a Antroposofia, conhecer a nós mesmos através da nossa biografia, numa dimensão integral do ser humano, enriquece nossa vida interior, nossa vida exterior passa a ter um novo sentido e podemos adquirir maior compreensão e amor pelo nosso destino.

Através do estudo da Biografia, podemos ter uma luz correta sobre nossa própria vida, olhando o lado luz e o lado sombra de nossa existência, analisando o que foi bom e o que foi difícil, visualizando a paleta de cores da nossa alma num grande panorama multicolorido.

Ao conhecermos porque certos fatos ocorreram e, muitas vezes, continuam acontecendo, como que independente da nossa vontade, podemos atuar de forma criativa para evitar que situações indesejáveis possam se repetir. Para isso, precisamos “acordar a vontade de mudar o futuro” e essa é a meta da Formação Biográfica.

Indubitavelmente, é preciso compreendermos alguns conceitos para que esse estudo seja melhor assimilado.

Primeiramente, o trabalho biográfico é ancorado por um vasto e profundo conteúdo teórico, conversas, escrita da vida propriamente dita, meditação e também pela arte em suas variadas modalidades. Em função disso, a Terapia Artística Antroposófica é de grande importância no processo de autoconhecimento e desenvolvimento, porém ela difere da prática pura no que diz respeito à atitude interior, métodos e propósitos.

Em segundo lugar, o objetivo da Terapia Artística Antroposófica“é o de atuar nos corpos e também nos arquétipos que precisam ser reorganizados”.

Posteriormente, na Formação Biográfica, utilizamos as técnicas da Terapia Artística como:

 - Pintura;

- Modelagem (em argila);

- Desenho e Observação de Arte;

- Euritmia (arte do movimento);

- Goetheanismo;

Quanto à indicação terapêutica, neste artigo nos limitaremos a falar sobre a pintura, a escultura e o desenho. A pintura é mais indicada, segundo a terapeuta artística Alice N Martins, nos “casos onde o sentir precisa ser desbloqueado, onde a respiração, (a troca com o mundo externo) precisa fluir”.

A modelagem “é possível chamar uma maior presença para a área do metabolismo e motora (volição)”. Para a terapeuta, modelar “é penetrar no mundo das forças plasmadoras dentro de nós, é entrar dentro do próprio corpo, é moldar-se a si mesmo”.

Já o desenho é um grande auxílio “nos problemas ligados mais diretamente à esfera do pensar (dificuldade de concentração, atenção, dificuldade lógica, compreensão de conexões e outros aspectos ligados ao pensamento)”.

No Aconselhamento Biográfico, a pintura e a escultura se dão de forma orientada, e o aluno tem liberdade na escolha do que representar, sempre observando as indicações dadas. É importante ter bem claro o que vai ser representado, e o que, quando, onde, como e quem, constituem dados importantes para que haja compreensão no diálogo entre a Aconselhador, expressão artística e o aluno/cliente. Entretanto o enfoque terapêutico é dado no processo e não no resultado artístico.

Então, muitas pessoas, ao finalizarem a Formação Biográfica, ou mesmo antes, dão continuidade à prática artística ao descobrirem seus talentos criativos e sentem que a arte deve fazer parte do cotidiano para melhorar sua saúde e seu bem-estar. Outras pessoas procuram aprofundar seus estudos com uma formação específica ou estudar outros métodos. Assim o autoconhecimento, proporcionado pelo estudo biográfico, será de forma consciente. 

 Romilda Dias – Aconselhadora Biográfica e Terapeuta Artística (em formação)

Referências:

1 – BURKHARD, Gudrun. Tomar a vida nas próprias mão: como trabalhar na própria biografia o conhecimento das leis gerais do desenvolvimento humano. 4ª. Ed. São Paulo: Antroposófica, 2010.

2 - BURKHARD, Gudrun; JUSTO, Angélica Alves. Biografia e Doença – Abordagem biográfica de pacientes com doenças crônicas. 2ª. Ed. São Paulo: Antroposófica, 2018.

3 - MORAES, Wesley Aragão de. Medicina Antroposófica: um paradigma para o século XXI. SP. ABMA

4 - I Caderno Aurora – 2003

5 - sab.org.br