Medicina Antroposófica e Aconselhamento Biográfico

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Medicina Antroposófica é uma ampliação da arte médica que faz uso de todos os avanços acadêmicos, à luz da Antroposofia. Ela surgiu a partir da pesquisa e trabalho da Dra Ita Wegman, impulsionada por Rudolf Steiner em 1924. No Brasil, a Medicina Antroposófica ganhou força em 1956 graças ao trabalho da Dra Gudrun Burkhard.

A maior contribuição que a Antroposofia traz para a prática médica é a lembrança de que o paciente não pode ser visto apenas em seu aspecto físico-biológico, mas deve ser compreendido em seus aspectos anímicos (psíquicos) e espirituais (individuais).

Na Grécia, em Epidauro havia o templo de Asclépio ou Esculápio (latim), deus da medicina e filho de Apollo, ele tinha duas filhas Higeia e Panaceia. O médico ouvia o seu paciente e se interessava por toda a sua história de vida. O diagnóstico era elaborado em conjunto com o paciente percebendo o seu desequilíbrio, suas causas e as transformações para a cura da doença. Eram feitas terapias externas, dietas, práticas esportivas, regulamentação do sono e descanso.

Quando se compara as ideias atualmente assumidas pela Medicina, nota-se que em matéria de recursos técnico-farmacêuticos tivemos grandes avanços e muito se retrocedeu no tratamento com o paciente, ficamos mais técnicos ao mesmo tempo que nos esquecemos da humanidade de cada individuo.

A Medicina Antroposófica ajuda o paciente em seu processo salutogênico, através de medicamentos e terapias antroposóficas (massagem, terapia artística, aconselhamento biográfico, reorganização neuro-funcional, entre outras).

Aconselhamento Biográfico

Assim como o ser humano tem uma biografia, a humanidade como um todo também tem a biografia dela. A evolução da consciência humana, pós-Segunda Guerra Mundial (1939-1945), tem como qualquer outra geração, pontos fortes e pontos fracos.

Entre os pontos fortes são a vitalidade, a criatividade e um idealismo admiráveis, somados à vontade de experimentar novas idéias que transcendam os valores tradicionais. Os pontos fracos da geração pós-Segunda Guerra estão numa dose incomum de narcisismo, são chamados de “geração do Eu”.

Portanto a nossa geração é uma amálgama de grandeza e narcisismo e esta estranha mistura tem contaminado quase tudo que fazemos. Não nos parece simples termos uma ideia, precisamos descobrir um novo paradigma que seja o arauto de uma das maiores transformações da história do mundo. Não nos conformamos em cuidar do nosso jardim ou de pequenos vasos, mas de transfigurar o planeta. Parece que temos a necessidade de nos vermos como a vanguarda de algo sem precedentes em toda a história: a extraordinária maravilha de sermos nós mesmos.

Com este apelo narcisista perdemos a comunhão, uma visão mais abrangente de que não esquecemos que estamos em comunhão com tudo que está em torno de nós.

O Aconselhamento Biográfico traz este conhecimento individual e a relação com o outro, com isto não perdermos a comunhão. Ao fazer um estudo da nossa biografia, da nossa individualidade, da nossa humanidade e percebemos a conexão com toda a humanidade e a natureza.

Várias biografias atualmente estão sendo divulgadas através de livros, filmes e teatro. Precisamos deste acompanhamento biográfico para ampliarmos o entendimento do nosso Eu (individualidade), da nossa escrita na vida, a nossa biografia.

Neste momento da pandemia pelo Covid-19, todos nós tomamos consciência do quanto estamos interligados, com toda a humanidade e a natureza do nosso planeta.

O Aconselhamento Biográfico é uma metodologia de trabalho que a amplia a prática médica e de outras profissões.

Autora: Angélica Justo - Médica Antroposófica e Aconselhadora Biográfica