O Inverno Existencial

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Durante nosso tempo de vida, em nossa biografia, registramos momentos invernais. Para que se possa compreender estes momentos devemos nos reportar às estações do ano uma vez que elas efetivamente existem no ritmo temporal da Terra e oferecem momentos reais de reflexão. Compreendemos os estados de vivência tanto interna quanto externamente nas diversas estações.

O verão nos convida a viver o sol que nos aquece exteriormente. Vamos para fora a fim de vivenciar este calor. Para fora significa não somente estar “fora” no exterior do ambiente, mas que também estamos muito mais propensos a ações externas. O dia,que ocorre mais longo que a noite, faz com que nossa vivencia seja de ações mais intensas e duradouras no convívio com o outro.

A luz solar nos convida a apreciar tudo o que está à nossa volta. Podemos ter momentos de interiorização, sim, isso ocorre, mas também podemos ter uma intensificação dessa interiorização. Isto acontece por situações particulares em nossa biografia. Dentro de nosso ser podemos ter um“inverno existencial”, apesar de tudo estar brilhando fora de nós. Situações de crises, de dor física ou não, nos faz ter este momento.

A primavera bem como o outono, trazendo dias iguais às noites, relembra um equilíbrio entre o agir e o repousar, o que pelo menos deveríamos vivenciar para estabelecer este equilíbrio dentro de nós. Porém, e, mais uma vez, apesar de tantas flores surgindo na primavera e o outono nos proporcionando um cálido vento em nossos corpos, podemos ter um“inverno existencial”. Situações do pensar do futuro incerto, de obrigações necessárias a serem realizadas, mas que a situação do frio interno, do “inverno existencial”, pode nos trazer um resfriamento de ideias e ações.

E eis que temos o inverno. E o que temos dele efetivamente na natureza?  Ele é um tempo de morte aparente. Há um recolhimento geral. As folhas não estão na maioria das árvores. Galhos secos e o frio. O ritmo está mais lento. A noite é mais longa que o dia. Então, podemos intensificar nossas reflexões da vida, das obrigações. É mais um tempo de “inverno existencial”.

Porém, o que depreendemos de nossa escalada através das idades, dos setênios, com relação aos momentos de invernos existenciais? Podemos transforma-los em ações produtivas e cultivar, como na época do inverno, a semente na terra, a esperança em nossos corações para o que há de vir. Isso é o que nos propõe o caminho de autoeducação e autodesenvolvimento do estudo consciencioso de nossas biografias.

Autora: Dra Laura de Lira e Oliveira