Somos Cidadãos de Três Mundos

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Nós, seres humanos, habitamos em três mundos que podem ser denominados: físico, anímico e espiritual.  Em cada um deles atuamos com nossa individualidade, de forma única, que está apoiada nas nossas qualidades, em nossas sombras e no que precisamos aprender e desenvolver.

A consciência da forma com que me apresento no mundo, pode ser de grande valia para compreendermos certos acontecimentos na nossa vida, como lidar e desenvolver nossas capacidades para ressignificá-las e seguir em frente de maneira que possamos nos situar em nossa biografia, nos sustentando e nos realizando.

No mundo físico, habitamos com nosso corpo físico, que é composto pelos quatro elementos (terra, água, ar e fogo) que compõem tudo o que se apresenta fisicamente neste mundo. Então, temos este corpo físico em comum com todo o mundo material. Este é o campo de estudo da medicina, biologia e outros.

No mundo anímico (ou da alma, psique), habitam nossas emoções, sentimentos, prazer, desprazer, desejos, simpatia, antipatia, ou seja como respondemos emocionalmente diante das diversas situações da vida. Temos este mundo comum com os animais, que também apresentam algumas emoções, o que nos diferencia deles é a capacidade de termos entendimento e consciência destas emoções. Aqui também, está presente nossa consciência e o inconsciente. Este é o campo de estudos da Psicologia, Psiquiatria e Neurologia.

E o mundo espiritual é onde está a morada de nossa individualidade, nosso Eu, que me permite ser único e especial. Este componente espiritual da estrutura humana (Eu) é que nos permite atuar de forma consciente, através da vontade, da coragem, no mundo anímico e físico, nos direcionando para que possamos ser saudáveis e caminharmos em direção aquilo que nos propomos.  Este Eu, á medida que amadurece no decorrer de nossa biografia,pode ir nos apresentando o que é necessário para a nossa jornada. Mas, para que isto possa acontecer de forma ideal, mais tranquila, sem tantos atropelos, precisamos que este Eu esteja no comando, e o que acontece muitas vezes, é que o mundo anímico, das emoções, aumenta sua força sobre nós, e por mais que aquela voz interior (Eu) nos mostre que não é por este caminho, o comando das emoções berra mais alto e acabamos muitas vezes seguindo este comando.

Vamos apresentar abaixo quatro maneiras possíveis de nos posicionar na vida, ou seja, a nossa forma de atuar, o que está mais em concordância com o que sentimos como prioridade. A partir desta compreensão, podemos buscar um equilíbrio na forma de agir, e não ficarmos presos em um único aspecto, assim, podemos agir mais conscientes diante das diversas situações e com mais liberdade em nossa biografia.

  • O caminho material – o que nos impulsiona é a necessidade de adquirir bens materiais, sigo vivendo com a meta de trabalhar para esta aquisição. Desejo de ter.
  • O caminho dos prazeres - seria a necessidade de aquisição de bens materiais e os colocar à disposição da realização dos nossos desejos e prazeres, este seria o impulso de realizar aquilo que desejamos e nos dá prazer. Desejo de ter e de usufruir.
  • O caminho da criação contínua – quando estamos sempre em direção a criar novos projetos, a força de criatividade é que nos direciona.  Seria um constante construir, estar sempre em um processo criativo, o ato de criar é o que nos dá o sentido da vida. O criar nos impulsiona, e nem sempre utilizamos as nossas criações na prática. Desejo de estarmos sempre utilizando as forças criativas.
  • O caminho dos ideais - geralmente seguidos por pessoas boas, virtuosas, com altos ideais e a vontade de levá-los para o mundo, mas têm dificuldade de trazer estes valores ou qualidades para o mundo real, apresentam dificuldade de realizá-los de forma concreta e assim, vivem no mundo das ideias, da vontade apenas no pensar. Pensamentos e valores superiores os norteiam, mas falta-lhes a capacidade de agir, de realização. Desejo de ideais sublimes no pensar.

 

Se nos posicionarmos apenas em um dos dois primeiros tipos, perdemos a possibilidade de alcançarmos algo mais elevado, algo eterno e não passageiro, que se desfaz como tudo que é material.

Se nos posicionarmos em um dos dois últimos, podemos perder a referência das necessidades pessoais e materiais, que também são necessárias e essenciais para nossa atuação no mundo. Podemos nos desconectar da realidade e vivermos no mundo da criação e das ideias.

A partir do autoconhecimento, podemos nos mover em direção a busca do equilíbrio,que seria a melhor maneira de nos posicionar no mundo, lançando mão dos valores pertencentes a cada caminho. Não devemos negar a nossa tendência principal dentre estes quatros aspectos, talvez ela seja a força propulsora da nossa ação no mundo, mas toda unilateralidade não é capaz de nos proporcionar o equilíbrio ideal, uma vez que somos seres que habitamos os três mundos.

Termos a consciência de que somos habitantes de três mundos, nos possibilita transitar pelos quatro caminhos acima, de acordo com o que vida nos solicita em determinadas circunstâncias, assim, podemos trazer um verdadeiro significado para nossa biografia.

Este seria o nosso trabalho de autoconhecimento e autodesenvolvimento, desenvolver nossa capacidade de transformação, fazer algo por mim e pelo outro, e, consequentemente, dar sentido às nossas vidas.

 

“É apenas uma questão de encontrar o ponto no qual cada coisa se torne interessante.”

Rudolf Steiner

 

Autora: Tereza Cristina Campos de Oliveira

 

Referências:

- Apostila do Curso de Formação em Aconselhamento Biográfico da Escola Livre-Antroposofia- Formação e Estudos Biográficos em Juiz de Fora- MG

- Meditações, Poemas e Aforismos – Rudolf Steiner

- Teosofia – Rudolf Steiner