Tudo no universo é feito de linhas retas e curvas

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O Desenho de Formas surge do movimento e se torna visível quando o colocamos em repouso, no papel ou em outro suporte.  “A linha que é apenas o contorno de um objeto visível, não é artística, não é verdadeira e não existe na natureza”. (KIRSCHNER, 2014, p. 30)

Vivenciamos dois princípios polares da forma: a linha reta como a expressão do pensar, da consciência e da clareza, esses estão relacionados ao sistema neurossensorial, já a linha curva, como a expressão da vontade e do ponto de vista anímico, tem relação com o sistema metabólico motor.

Estamos considerando o homem numa visão trimembrada segundo a Antroposofia, ciência espiritual fundada por Rudolf Steiner. Ele incluiu no ensino da Pedagogia Waldorf a disciplina de Desenho de Formas como um meio artístico para educar, e que esse atue nas crianças ajudando “a  fortalecê-las e curá-las, de modo que elas alcancem um  fortalecimento interior e que possam atender às exigências da vida moderna impostas ao ser humano.” (NIEDERHAUSER, 2014, p. 8)

Portanto, Kirschner observou que os exercícios de simetria dados por Rudolf Steiner para iniciantes parecem formas muito simples, porém não devemos avaliar sua ação formativa do ponto de vista extrerno e enfatiza que é necessário desenhar as formas, repetidamente, vivenciando, para que possamos sentir e reconhecer em nós mesmos a sua atuação e capacidade de nos colocar em movimento. A vivência poderá apontar para a diferença entre desenhar uma simetria à direita e à esquerda e um espelhamento em direção ao eixo de simetria horizontal.

Assim, os Desenhos de Formas de espelhamentos, à direita e à esquerda do eixo vertical, esse representando a linha do Eu, de acordo com Peter Giesen,colaboram com os dois hemisférios do cérebro, com isso, trabalha a memória abstrata, além de proporcionar a orientação espacial e a corporal, a coordenação, a lateralidade e, além disso, desempenha um papel significativo no sentido do equilíbrio.

                                                                  Desenho de Forma

Quanto aos Desenhos de Formas de espelhamento, podem ser feitos da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, misto e cruzado e, inclusive, o desenho pode ser feito com ambas as mãos ao mesmo tempo. Rudolf Steiner mencionou ainda “a possibilidade de que a criança venha a contemplar também simetrias assimétricas...” (NIEDERHAUSER,  2014, p. 12)

O tema da metamorfose no Desenho de Formas também foi apresentado por Rudolf Steiner, a qual a forma é modificada, mas a harmonia mantém-se na nova forma. É importante o modo de fazer os Desenhos de Formas, esses não devem ser meramente copiados. Ao executá-los, vivenciamos o caminho de acordar e abrir o conteúdo interior da forma. Isso é possível através da percepção das forças que nela atuam, notadamente quando exercitamos variações da Forma.

Embora queiramos sempre fazer as formas perfeitas, se o processo for trabalhado adequadamente,  sempre observando o movimento, ofluxo, o ritmo, então o resultado será alcançado. Isso não quer dizer que não devemos nos ocupar com o resultado final. O ideal é que a forma fique clara, embora muitas dessas tenham sido indicadas para crianças, porém os adultos também são beneficiados com essa arte, contudo é importante sempre observar as indicações de cada desenho. 

Portanto, o Desenho de Formas poderá nos ajudar a conduzir ao caminho de autodesenvolvimento e autoconhecimento.

 

Autora: Romilda Dias

Aconselhadora Biográfica e Terapeuta Artística (em Formação)

 

Referências

D’HERBOIS, Liane Collot. Luz, Escuridão e cor na pintura terapêutica: as forças criativas da luz e da Escuridão. Tradução: SP. 1996.

 GIESEN, Peter. Form drawing workbook: Lesson plan from grade to grade. Mercurius. Hamburg. 2011.

 KIRSCHNER, Hermann e NIERDERHAUSER, Hans R .Desenho de Formas. Tradução: Maria do Carmo Lauretti e Mariangela Motta. 2ª. 2014