A Filosofia de Rudolf Steiner


A Filosofia de Rudolf Steiner

A Filosofia de Rudolf Steiner
Em seu livro “A Filosofia da Liberdade”, diz Steiner: “… portanto, quando o filósofo começa a refletir sobre sua relação com o mundo, ele acaba sendo pego por um sistema de pensamentos que se dissolvem tão rápido quanto são formados. O processo do pensamento é aquele que pede algo além de uma refutação teórica. Nós temos de viver por meio dele a fim de entender a aberração a qual ele nos leva e, a partir daí, descobrir a saída”.
Todas as filosofias merecem um estudo, podem trazer uma visão libertadora quando paramos de argumentar a favor ou contra elas. O filósofo é aquele que questiona a suposição ingênua de que sua própria visão é igual à visão da realidade de si mesmo (“Os Enigmas da Filosofia -1900”).
“O mundo não pode ser observado a partir de uma posição unilateral de uma cosmovisão, de um pensamento. O mundo apenas se desvenda àquele que sabe ser preciso andar ao seu redor. Assim como o sol, quando nos baseamos na cosmovisão de Copérnico, passa pelo zodíaco para iluminar a terra de doze pontos, também não podemos nos colocar numa posição de idealismo, sensualismo, fenomenalismo ou outra cosmovisão , que pode ter um desses nomes. Temos que estar em condições de andar ao redor do mundo e familiarizar-nos com essas doze posições (Idealismo, Realismo, Materialismo, Espiritualismo, Matematismo, Sensualismo, Racionalismo, Fenomenalismo, Psiquismo, Dinamismo, Pneumatismo, Monadismo), a partir das quais podemos observar o mundo (“O Pensamento Humano e o Pensamento Cósmico” – GA 151).
Steiner reformulou suas ideias novamente enquanto reconhecia que estava recuperando algo que havia sido entendido em tempos antigos, e sugeria que isso não precisava ser perdido na questão unilateral para pontos específicos. A necessidade de repensar constantemente está  no coração da Filosofia de Steiner. Ele se opunha profundamente ao tratamento mecânico do problema do conhecimento, como se o fato pudesse ser solucionado assim como uma câmera tirando uma foto do mundo, sem se envolver nele. Para ele, o conhecimento era essencialmente um sistema complexo de vida, uma atividade humana e isso predizia nosso compromisso com um mundo para o qual, em um nível mais complexo, pertencíamos profundamente: o mundo que nos deu a nossa organização como seres inteligentes. Nossa consciência de um mundo “externo” é, para ele, não uma contradição estranha na composição das coisas, mas uma característica enigmática da nossa relação com nosso ambiente, que será solucionada com a ajuda de conceitos de forma, de desenvolvimento e de uma noção mais profunda da evolução.
Da época de seu trabalho pioneiro sobre os escritos científicos de Goethe, defendendo diferentes interpretações de cor e de crescimento biológico referentes às teorias materialistas de sua época, Steiner encontra-se na vanguarda de muitos dos avanços sobre o entendimento da estrutura e da forma, tão importantes no pensamento moderno. No início de seu trabalho ele viu a necessidade de estabelecer uma base epistemológica sobre a qual está a ciência de Goethe em “A Obra Científica de Goethe”. Ele esboçou as implicações dessas ideias para as Ciências Físicas, Biológicas e Humanas, de forma que ele já oferece um vislumbre da direção que seu trabalho tomaria após a virada do século.
O conhecimento é descrito por Steiner como um processo e uma relação. Ele rejeitava qualquer tipo de visão “metafísica” do conhecimento, baseado na ideia de que de alguma forma é possivel, ficar de fora de nossa posição de envolvimento com o mundo. De uma forma mais simples, conquistamos a objetividade, não por ficar de fora de nossa perspectiva como conhecedores para ver o que as coisas “realmente são”, mas pelo entendimento do ângulo de que nossa visão está do lado de dentro e também das condições que ela envolve.
A filosofia resultante rompeu com as antigas tradições do Idealismo e Materialismo, bem como chegou a um novo modo de pensamento, uma nova visão “antroposófica” da natureza humana na direção de um novo mundo inter-relacionado.
“O resultado dessas investigações é que a verdade não é, segundo o que é suposto, o reflexo de idealizar algum objeto real, mas algo produzido livremente pela mente humana e não existiria de modo algum, se não a trouxéssemos à tona. A tarefa do conhecimento não é recapitular na forma de conceitos o que nos é dado de uma outra forma, mas sim criar um domínio totalmente novo que, quando agrupado com o mundo apresentado pela percepção do sentido, produz, pela primeira vez, a realidade completa. Desse ponto de vista, o modo mais elevado da atividade humana – a atividade criativa da mente – adapta-se organicamente ao processo completo dos eventos cósmicos. Nessa atividade, o processo do mundo não poderia ser compreendido como algo total e completo em si. O ser humano não é um observador preguiçoso frente ao espetáculo do mundo, imitando em seu espírito o que está acontecendo no universo sem se envolver; ele é um participante ativo em um processo criativo cósmico e seu conhecimento é, na verdade, a parte mais evoluída do organismo do universo”. Steiner, WarheitWissens (Dornach, 1980) pp.11-12.

Steiner teve um processo biográfico marcado por três grandes etapas: a fase filosófica, de 21 a 41 anos, a fase teosófica de 41 a 52 e a antroposófica de 52 a 64 anos.

Resumo Biográfico de Rudolf Steiner

1ª Fase: 0 aos 21 anos

Nasceu em 27 de fevereiro de 1861 em Kraljevec – Ilha Mur, na Hungria, hoje Iugoslávia. Primeiro de três filhos (uma irmã Leopoldine-1864 e um irmão Gustav-1866).
O pai, Johanan Steiner, era nascido em Geraes na baixa Áustria. Foi funcionário da Estrada de Ferro Setentrional da Áustria.
A mãe, Franziska Steiner era nascida em Horn, baixa Áustria.
O pai é transferido para Inzendorf, perto de Viena. Estuda na Academia Técnica as disciplinas de Matemática, Biologia, Física, Química. Seus professores espirituais são Karl Julius Schröer, na Literatura alemã, Robert Zimmerman e Franz Brentano (Filosofia) e Otto Karl Lorenz (História). Estudos básicos de Goethe.
· Aos 21 anos é encarregado dos “Escritos científico-naturais de Goethe” e publica os “Fundamentos de uma gnosiologia da cosmovisão Goethiana”.

2ª Fase: 21 aos 42 anos

· Aos 27 anos profere uma conferência na Sociedade Goethe de Viena: “Goethe como pai de uma nova estética”.
· Aos 29 anos torna-se colaborador permanente no Arquivo Goethe-Shiller.
· Aos 30 anos já é Doutor em Filosofia e publica “A questão fundamental da gnosiologia, com especial consideração à doutrina científica de Fichte”.
· Aos 31 anos publica “Verdade e ciência”.
· Aos 33 anos publica “A Filosofia da liberdade”.
· Aos 34 anos publica “Friedrich Nietzsche, um lutador contra seu tempo”.
· Aos 36 anos publica “A cosmovisão de Goethe”. Transferere-se para Berlim.
· Aos 38 anos casa-se com Anna Eunike.
· Com 39 anos profere palestra no âmbito da Sociedade Teosófica: “Concepções do mundo e da vida no século XIX”, dedicada a Ernst Haeckel.
· Aos 41 anos marca sua entrada para a Sociedade Teosófica.

3ª Fase: 42 aos 63 anos

·  43 anos, fala em Stuttgart: “Goethe como Teósofo”.
·  44 anos está em atividade discursiva e de extensão da Sociedade Teosófica em Berlim. Publica o “Evangelho segundo João”.
·  47 anos faz 12 conferências em Nuremberg sobre “Teosofia com base no apocalipse”.
·  48 anos publica o “Evangelho segundo Lucas”.
·  49 anos publica o “Evangelho segundo Mateus”.
·  50 anos publica “Fisiologia oculta”. Morre Eunike, sua mulher.
· Fala no Congresso Internacional de Filósofos em Bolonha sobre “Os fundamentos psicológicos e a posição teórico-cognitiva da Teosofia”.
· 51 anos: criação da Eurritmia.
· 52 anos: saída da Sociedade Teosófica e constituição da Sociedade Antroposófica.
· 53 anos casa com Marie Von Sivers.
· 58 anos: fundação da Escola Waldorf em Stuttgart. Representações do “Fausto” no Goetheanum.
· 59 anos: conferências para jovens médicos e estudantes de Medicina.
· 61 anos: destruição do Goetheanum por ato incendiário.
· 63 anos publica “Minha vida”. Ministra cursos para jovens médicos, curso de agricultura, curso de Eurritmia Verbal, curso para moldagem da fala e arte dramática, curso para teólogos.

4ª Fase: 63 aos 70 anos

· 64 anos: Escreveu em conjunto com a Dra. Ita Wegman “Elementos fundamentais para uma ampliação da arte médica segundo conhecimentos científico-espirituais”.
· Em 30 de março de 1925 falece Rudolf Steiner.
Ponto de vista do ser humano, segundo  a Antroposofia:

Steiner contribui com a elaboração do processo de desenvolvimento humano do ponto de vista da Ciência do Espírito – Antroposofia, que o ser humano é um ser integrado à sua natureza-divina espiritual e que passa por fases de desenvolvimento físico, anímico e espirtual. Isto pode ser visto e estudado do ponto de vista da Antroposofia , em alguns conceitos, como a trimembração:(corpo, alma e espírito , a quadrimembração: corpo físico, etérico, astral e Eu e septamembração : as sete qualidades anímicas  e as dozes qualidades Zodíacais.

Segue abaixo alguns esclarecimentos sobre este ponto de vista.

A- Trimembração segundo a Antroposofia:

A Antroposofia de Steiner retoma, devidamente reelaborada, uma das formas mais tradicionais de se ver a natureza: a forma trimembrada em  corpo, alma e espírito.
No uno temos a Sophia. No binário o Feminino e o Masculino e no ternário podemos ter o arquétipo da Mãe – Pai – Filho.
Na tríade alquímica revivida no século XVIII por Saint Martin, temos o sal, onde  o coagular se processa , o súlfur que seria tudo que tende a dissolver e o mercúrio buscando o equilíbrio.
Na natureza cósmica podemos observar o mundo físico, o anímico e o espiritual. Na natureza do homem observamos o corpo, a alma e o espírito.
Nas origens da civilização ocidental cristã, a ontologia humana era ternária: pneuma, psique e soma.
No Concílio de Constantinopla (870 d.C.) a visão ternária passa a ser binária, assim, a denominação de espírito e alma, passam a ter o mesmo sentido. Como já foi visto anteriormente, René Descartes no século XVI define o homem de res cogitans, a coisa pensante, que seria o  mental  na unificação do Espírito e da Alma, e a res extensa, a coisa extensa, que seria o soma. Sendo assim o homem foi reduzido a uma dinâmica somato-psíquica ou somato – mental.
O Materialismo que emerge a partir do século XVII quando a Alquimia é substituída pela Química; elege a matéria como real e elimina o Espírito; a Alma decai para a condição de um epifenômeno da química das substâncias: “a mente é resultado da química cerebral”. O espírito romântico do século XVIII vem resgatar o intermediário mercurial e restabelecer a noção de um ternário. Steiner compreendeu a importância dessa vocação para a cultura moderno-ocidental e a reelaborou durante a construção das bases da Antroposofia.

Pensar-Sentir e Agir

A alma do ser humano se manifesta por estas faculdades , que seriam o pensar, sentir e querer.

Essas são as três faculdades da alma. No trabalho de conscientização, o pensar deveria estar em equilíbrio com o sentir e com o querer. Em uma hipótese de pensar imbuído de um querer (pensar-querer), vencemos a nossa limitação. Steiner oferece alguns exercícios de concentração, retrospectiva e mudança de hábito. Refletir sobre um ponto de vista oposto cria uma flexibilidade interna; abstermos de julgamentos nos torna objetivos e realistas.
Pensar com o sentir (pensar-sentir) é uma condição essencial da formação ética, que seria o pensar com o coração. Quando conscientizamos os nossos sentimentos, fazemos uma educação ética nos nossos processos vivenciados.
Pensar sobre o pensar (pensar-pensar) faz com que a alma se liberte da iluminação subjetiva, penetre na amplidão dos horizontes espirituais impregnando-se de vitalidade, combatendo a insegurança, o nervosismo, as neuroses e depressões, o medo da vida e o pânico.

Através da motricidade, vencemos a força da gravidade de uma forma inconsciente, em um estado de sono profundo. E a criança de 0 a 3 anos adquire o que Steiner chama do “alicerce da vida humana”: Andar – Falar – Pensar, onde fundamentamos todo o processo da nossa existência.
Quando estamos em uma crise, caímos, levantamos, falamos sobre ela e andamos novamente, fazendo toda uma reestruturação dos nossos processos existenciais.

Espírito, Eu e Organização para o Eu

Steiner em diversas obras considera que o homem possui um “Espírito” individualizado, ao qual denomina “Eu”, que deve assumir e gerenciar  o próprio corpo e a alma.
Já o termo usado na Antroposofia “Organização para o Eu” é a organização para uma fisiologia individualizada.
O nosso “Eu” (Espírito) corresponde ao sono profundo, no inconsciente e sua manifestação é dada através da Vontade.

A Vontade e o Inconsciente

O filósofo romântico Shopenhauer escreveu que o mundo é uma vontade manifesta e que a vida é simplesmente a vontade de existir se manifestando.
Em Nietzsche, a vontade é potência, “querer mais estar no mundo”, como um leão que come sua presa simplesmente para sobreviver.
Já para Goethe, a vontade aparece como a eterna insatisfação e aspiração do “Fausto”.
Na obra “O Estudo geral do homem – Arte da Educação I” – 1919, Steiner detalhou a Vontade em 7 passos : resolução, propósito, aspiração, motivo, desejo, impulso e instinto e que podemos estuda-la de uma forma  trimembrada, em níveis superiores, medianos e inferiores.

Níveis superiores:
Resolução: é a vontade do espírito – “Eu”
Propósito: o qual leva ao aprimoramento do “Eu”
Aspiração: através da autoeducação do “Eu”

Nível mediano:
Motivo: razões para o “Eu” elaborar o caminho cotidiano da nossa biografia.

Níveis inferiores:
Desejo: ele se torna manifesto através do animal em nós.
Impulso: desencadeado pelas necessidades vitais (fome, sede, etc.).
Instinto: através da reprodução, a forma mais arcaica da vontade.

A nossa cabeça pensante sabe pouco do que queremos. As nossas vísceras, pernas e músculos, sabem mais. Segundo Steiner o pensar com o nosso sistema metabólico-locomotor, com as vísceras, pernas e músculos, o pensar, seria vivo, criativo, ele está no nosso inconsciente.
O “Eu” inconsciente é selvagem, indomado, natural e está aberto em contato com o Todo  com o Cosmo. Daí ele recebe imaginações, inspirações e intuições.
Na cabeça consciente somos “Egos Sociais”. Já nos membros e vísceras, na esfera do inconsciente, somos “Eus Espirituais”.
A Vontade inconsciente cria o futuro, a cabeça vive na reflexão sobre o passado.
Steiner observou que no homem sadio a Vontade não pode estar desvinculada do pensar e do sentir. A Vontade permeada pelo Bom, Belo e Verdadeiro transforma-se, respectivamente em Bondade, Estética e Ética, levando o ser humano ao Entusiasmo. Segundo Nicola Abbagnano (Dicionário de Filosofia – pág. 335): “Entusiasmo em sentido próprio seria a inspiração divina, donde o estado de exaltação que ela produz, com a certeza de possuir a verdade e o bem”. O filósofo contemporâneo Jaspers definiu o Entusiasmo de acordo como conceito tradicional e precisou-o positivamente. “Na atitude entusiástica”, Jaspers,  disse , “o homem se sente tocado em sua substância mais íntima, em sua essencialidade ou, o que dá no mesmo, sente-se arrebatado e comovido pela totalidade, pela substancialidade e pela essencialidade do mundo (Psychologie der Weltanschauunge, I, C, trad. It., pp, 138 ss.). Contudo, Jaspers distinguiu entusiasmo de fanatismo, no sentido de que, enquanto o entusiasta “se obstina em manter firme suas ideias, mas tem vivacidade e vitalidade para aperceber-se do novo”, o fanático “fica fechado em determinada fórmula ou numa idéia fixa” (Ibid,. p.162).
Na Pedagogia Waldorf a educação da Vontade se dá através da repetição nos exercícios com o corpo por meio do brincar, teatro, canto, música, pintura, desenho e da Eurritmia. No aconselhamento biográfico, com o exercitar da revisão consciente de todos os processos biográficos vividos e criando transformações através do exercitar da vontade.

 Quadrimembração

A quadrimembração é outra forma de observação do ser humano através do pensamento analógico, oferecida por Rudolf Steiner.
Empédocles, filósofo grego, séc. 490-435 a.C., já falava dos quatros elementos: terra, água, ar e fogo, os quais seriam combinados através do amor e do ódio.
Este conhecimento foi vivificado dentro da Antroposofia na observação do ser humano através dos quatro elementos, oferecendo a sustentação para os “quatro corpos”: corpo físico, corpo etérico, corpo astral e corpo calórico – Eu.
Terra – Corpo Físico: todos os oligoelementos da natureza (ferro, cálcio, cobre, magnésio, etc.) estão presentes na constituição do nosso corpo físico.
Água – Corpo Etérico: corpo vital ou corpo das forças formativas e plasticidade . A água serve como veículo para todos os nossos processos vitais.
Ar – Corpo Astral: o ar é o veículo das nossas emoções.
Fogo – Eu, Consciência: o calor portador do nosso Eu é diferente do calor físico, que segundo Steiner se aproxima quando o vivenciamos um entusiasmo. Segundo Jaspers o entusiasmo é o que aproxima o homem do espiritual.

Podemos subdividir o corpo físico em quatro organismos: sólido, líquido, gasoso e térmico.
Organismo sólido: corresponde a nosso corpo físico vinculado à dinâmica do sistema pulmonar.
Organismo líquido: corresponde a nossa salivação, sudorese, diurese, etc… , vinculado à dinâmica do sistema hepato-biliar.
Organismo gasoso: corresponde a nossa respiração e está vinculado à dinâmica do nosso sistema renal-genital.
Organismo térmico: corresponde a nossa temperatura corporal e a harmonização do nosso “Eu” ao nosso corpo. Está vinculado à dinâmica do nosso sistema cardiovascular.

Quaternário orgânico: os quatro sistemas orgânicos.
Pulmonar – Terra
Hepática – Água
Renal – Genital – Ar
Cardiocirculatório – Fogo

Segundo Rudolf Steiner em seu livro “Teosofia”, quando falamos do nosso corpo, estamos nos referindo aos nossos corpos físicos, corpo etérico e corpo astral.

CORPO ETÉRICO

Matriz invisível do corpo físico. Podemos entendê-lo fenomenicamente através da observação goetheanística como sendo ele constituído pelo éter vital, éter químico ou sonoro, éter luminoso, éter calórico.

Sólido: éter vital – melancólico – terra – pulmão.
Líquido: éter químico-sonoro-fleumático – fígado.
Gasoso: éter luminoso – sanguíneo – rim.
Térmico: éter calórico – colérico – coração.

Elementos opositores e  sutis dos quatro elementos e os quatro éteres.
Éter calor: funde, aquece. Fogo: dissolve, queima.
Éter luz: organiza, tece. Ar: fluir, movimento.
Éter químico: germina, brota. Água: vitaliza, umedece.
Éter vital: tensão para uma futura expansão. Terra: contrair, expandir.

Os sete processos vitais do corpo etérico:
1- Interiorização.
2- Ajuste, estabelecer uma relação.
3- Digestão.
4- Assimilação.
5- Manutenção.
6- Desenvolver uma nova habilidade.
7- Reproduzir.

Ao se fazer um conto de fadas para a criança, estamos solicitando a participação do seu corpo etérico, onde ela irá ouvir o conto e desenvolver os sete processos de aprendizado, criando através das imagens do conto uma nova habilidade, reproduzindo-a. Por isto nas escolas Waldorf se ensina através de imagens que irão estimular a inspiração, deixando espaço para a intuição. O conto, o mito e as lendas usados para adultos produziram o mesmo processo no nosso corpo etérico.

CORPO ASTRAL

É o corpo animal no ser humano. Nos permite a excitabilidade, as sensações, a dor ou o prazer, a fome, a sede e a libido. O corpo astral pode ser lido fenomenicamente na face do indivíduo, medo, ansiedade, dor, etc.
O corpo astral hipertrofiado manifesta no ser humano inquietação, agitação e excitabilidade.
Podemos observar o corpo astral através do acordar, do sentir e do desejar. O acordar lento deduz um corpo astral não tão desperto; o contrário seria um corpo astral muito desperto. O sentir de uma forma muito intensa irá definir um corpo astral com grande intensidade na esfera do sentir. O desejar poderá nos orientar em que estágio o nosso corpo astral está, se ele está no nível do reino animal ou humano.
O corpo astral contém o elemento que desequilibra, podendo levar à doença e o corpo etérico contém o elemento harmonizador, levando à saúde.

Na Antroposofia usamos a terminologia de Homem Superior e Homem Inferior, nos referindo da seguinte forma:
Homem Superior: seria o “Eu” ligado ao corpo astral.
Homem Inferior: seria o “Eu” ligado ao corpo etérico.

O nosso “Eu” se revela na nossa face, nos olhos, na fala, na gesticulação, e também determina em nós o que temos de forças espirituais.
A “Organização para o “Eu” se expressa na estruturação dos tecidos, forma do esqueleto e no sistema imunológico. A “Organização para o Eu” pode ser entendida tanto do ponto de vista somático-fisiológico quanto do ponto de vista psicológico. A percepção do “Eu” de uma pessoa se faz através do calor que ela irradia. Ex.: Esta pessoa é calorosa.

DIAGNÓSTICO ATRAVÉS DO OLHAR TRIMEMBRADO E QUADRIMEMBRADO

Trimembrado: Corpo, Alma e Espírito.

– Corpo: Sistema Nervoso Central (SNC), Sistema Rítmico, Sistema Metabólico-Locomotor.
– Alma: Pensar, Sentir, Querer.
– Espírito: Imaginação, Inspiração e Intuição.

Quadrimembrado: Corpo Físico, Corpo Etérico, Corpo Astral e Corpo Calórico (Eu)

– Corpo Físico: os quatro elementos (terra, água, ar e fogo) e os quatro temperamentos (melancólico, fleumático, sanguíneo e colérico).
– Corpo Etérico: éter vital (terra), éter químico-sonoro (água), éter luminoso(ar), éter calórico (fogo).
– Corpo Astral: ele se torna expressivo pelo acordar, sentir e desejar.
– Corpo Calórico: portador do nosso “Eu”, ele se expressa pelo calor não físico, mas pelo o “calor do entusiasmo”, que segundo Steiner é o que se aproxima deste calor espiritual.

Para que o acordar esteja bem desperto e alerta é necessário que o corpo astral esteja bem engajado dentro do corpo etérico e físico.
Um pensar lerdo, confuso, obnubilado e delirante pode indicar uma relação anormal, tendente ao afastamento do corpo astral. Uma vida passional com sentimentos, sensações e emoções fortes, indica uma astralidade presente, desgastando o corpo etérico e físico.
A afetividade do corpo astral é a simpatia e antipatia, gostar ou desgostar, paixão ou aversão. O corpo astral não ama, ele deseja e apaixona. Amar é atribuição do “Eu”.
Um elemento qualitativo do corpo astral é a sua constituição planetária e zodiacal, o qual também se insere nas dinâmicas etérica e física.
Segundo Rudolf Steiner, o corpo astral pode ser imaginado como um animal predador incorporado em nós, do qual o corpo etérico é o seu alimento.
Quanto mais acordados mais astralidade e maior é o desgaste do corpo etérico. Quando dormimos, ele se retira e o corpo vital recupera as funções físicas e biológicas. O corpo astral contém o potencial adoecedor e o corpo etérico contém a revitalização.

“Eu”

Homem Superior: eu e corpo astral – onde acontece a nossa atividade anímica – espiritual.
Homem Inferior: corpo etérico – corpo físico – parte somático-orgânica.

No sono há um desligamento e na morte um desligamento total. O que sobrevive após a morte, segundo a Antroposofia, é o Homem Superior.
O “Eu” é responsável pelo senso interno de individualidade, ou seja, pelas qualidades humanas superiores (ética, aptidão para o amor, crise existencial, senso estético, curiosidade científica, especulação filosófica e religiosa).
Não se deve confundir a atuação do “Eu Humano” com o pensar. O pensar é uma função etérica, tecida de sensações e de sentimentos pelo astral. Temos o pensar através do sensorial com as leis físicas, mecânicas, esquemáticas e lógicas, enquanto que o pensar com criatividade, mais artístico, plástico, fluente, vivo, imaginativo é feito pelas forças etéricas. Através dos contos, mitos e lendas fortalecemos a nossa capacidade de imaginação, nutrindo o nosso corpo etérico através de imagens.
O Eu é apenas o direcionador e observador dos próprios pensamentos. Ativamos as lembranças através do nosso corpo astral e a memória pela força do nosso corpo etérico.
Como disse anteriormente o “EU” se revela na face, nos olhos, na postura ereta, na fala e em seu conteúdo, na dinâmica imunológica e nos conteúdos de pensamentos.

PAPEL DO TERAPEUTA

Na Antroposofia observamos que o ser humano tem em sua formação um microcosmo (terra, água, ar e fogo; planetas; zodíaco).
As Terapias Antroposóficas lidam com esse microcosmo complexo, que é o ser humano, onde todos os arquétipos se encontram reunidos, configurando uma constelação individualizada e centralizada por um “Eu” que percorre trajetórias biográficas singulares e tem vínculos específicos.
Caminhos terapêuticos: Terapias do “Eu”, Terapias da Alma e Terapias do Corpo.
Terapias do “Eu” (espírito, nooterapias): aconselhamento biográfico, psicoterapias cognitivas ,filosofia clínica.
Terapia da Alma: psicoterapia e terapia artística
Terapia do Corpo (somatoterapias): massagem rítmica, quirofonética, eurritmia, dietas, reorganização neuro-funcional.

O aconselhador biográfico utiliza os três tipos de terapias antroposóficas. A Terapia do “Eu” acontece quando o terapeuta convida o “Eu consciente” do indivíduo de forma afetiva e volitiva a refletir sobre a sua conduta, sobre a sua valoração, suas instâncias irracionais e inconscientes. Por meio do diálogo podemos conseguir uma interação humana eficaz criando uma atmosfera terapêutica favorável, que segundo Steiner cria uma “teia etérica”. Com isto o “Eu” do biografado é tomado de um assombro primordial de reconhecer a si mesmo, de se apresentar e de se desafiar. E ele pode medir a distância entre o que ele é ou o que ele está sendo, e o que ele desejaria ser.
O biografado pode reconhecer que seu modo de pensar, seu sistema pessoal de valoração e de moral, seus padrões afetivos, sua conduta sobre si mesmo e sobre os outros é determinada, na verdade, por uma constelação de arquétipos: são os padrões zodiacais (corpo astral) e os planetários (corpo etérico). Ele toma consciência e racionalidade, porém necessita das forças e da capacidade de transformação interna necessária.